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segunda-feira, 9 de abril de 2012

O poder do carinho

Pesquisa relaciona a criação afetuosa com o desenvolvimento cerebral da criança

Pesquisa relaciona a criação afetuosa com o desenvolvimento cerebral da criança Stock Photo/Divulgação

O afeto dos pais traz benefícios fundamentais para o desenvolvimento da criança, tanto no campo social — aumentando sua capacidade de convívio —, quanto no âmbito emocional — levando à formação de uma personalidade terna e amorosa. A conclusão é de um estudo realizado pelo Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, segundo o qual os meninos e meninas criados com carinho familiar costumam apresentar um hipocampo (área cerebral relacionada ao aprendizado) quase 10% maior que as demais.

A pesquisa, realizada por psiquiatras e neurocientistas da universidade, revela, pela primeira vez, uma relação entre o impacto do carinho na infância, as especificidades psicológicas e sociais desenvolvidas posteriormente e o tamanho dessa região do cérebro.

Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram imagens cerebrais de 92 crianças de sete a 10 anos que já haviam sido avaliadas previamente entre os três e os seis anos. Quando eram mais novas, o vínculo afetivo delas com os pais, principalmente com a mãe, foi observado em momentos considerados estressantes, como a espera para abrir um presente desejado. A capacidade dos pais em acalmar o filho nessas circunstâncias foi o parâmetro utilizado para definir se o menino ou menina tinha uma criação afetuosa, já que a situação simula situações de ansiedade.

— O estudo é muito objetivo. Não analisamos os pais que se consideravam carinhosos. Nós nos baseamos, sobretudo, no comportamento deles e na extensão de seu carinho em condições adversas — explica Joan L. Luby, chefe do Programa de Desenvolvimento Emocional na Primeira Idade da universidade e uma das principais condutoras da pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Segundo ela, o carinho familiar auxilia também no combate ao estresse e à depressão. Joan ressalta ainda que o hipocampo pouco desenvolvido está relacionado à suscetibilidade da criança em desenvolver, principalmente na adolescência, problemas como o transtorno depressivo maior (TDM), que influencia o impacto e a abordagem terapêutica do transtorno de déficit de atenção e hiperativade (TDAH) em adultos.

Autoconfiança
Para a psicóloga Selma Afonso Nazaré, o toque de carinho, além de ser um ato "gostoso" em qualquer idade, estimula o corpo em diversos aspectos.


— Fisicamente, os sinais corporais, como a respiração, o sorriso e o olhar são beneficiados. Se levarmos em consideração o lado afetivo, a estabilidade emocional, a amabilidade, o humor, a autoconfiança e a serenidade são ressaltados durante a vida infantil. As crianças criadas em um ambiente carinhoso se desenvolvem psicossocialmente e se tornam mais saudáveis e interativas com os familiares e amigos da escola, estabelecendo vínculos afetivos em qualquer fase da vida — destaca.

A jornalista Sal Freire e o professor universitário Rodrigo Dantas, pais de João, 14 anos, lembram que a qualidade e quantidade dos carinhos trocados com o filho foi um dos elementos que proporcionaram a construção de um vínculo forte com ele. Desde que João era recém-nascido, a jornalista percebia sua capacidade de tranquilizá-lo em situações estressantes com um ato carinhoso.

— Hoje, ele já desenvolveu recursos próprios para superar momentos estressantes — completa.


sexta-feira, 9 de março de 2012

A criança e a autoestima

Um processo autônomo, como o gesto de andar, depois correr, ou aprender a pegar, segurar alguma coisa, nada disso requer inteligência, uma vez que são processos involuntários, do mesmo modo que o são, o olhar, o sentir cheiro, o escutar sem direito a escolha. Já sabemos pegar nas coisas, de berço, e com o tempo, apenas vamos aperfeiçoando a técnica, depois aprendemos a dar nomes aos objetos que estamos segurando. E para nada disso é requerida a inteligência, pois trata-se de um mero gesto de repetição, imitação, assim como o faz um papagaio, que é capaz de imitar sons, mesmo sem saber o que significam.

Criatividade não significa estar apto a repetir, a imitar, a decorar pantomimas para depois praticá-las como se fossem habilidades. Podemos ter ideias, mas isso na verdade reflete apenas uma diferente forma de se ver algo já existente. Nesse caso, uma ideia anterior, segue modificada, com aparência de nova, assim como nosso comportamento, que se parece coisa nova, quando na verdade, apenas o veículo que é nosso corpo é novo, não os hábitos.

A insatisfação e satisfação, opostos de um mesmo estado, é a causa e efeito de toda ação humana. É o que determina o que devemos ou não desejar, procurar obter, evitar, criar nossos objetivos de vida. Também, a partir destes dois pontos, que são pontos equidistantes de uma mesma coisa, isto é, a busca por satisfação, todas as personalidades humanas são criadas.

E disso também resulta a maioria dos estados emocionais do homem. Tristezas e alegrias, melancolia e euforia, medo e coragem, falta de confiança e confiança em si mesmo. Também os motivos que causam cada um destes estados nos indivíduos, estão associados ao desejo de obter satisfação. Isso significa ser aceito, bem sucedido, bonito, capaz, idolatrado, desejado, ter poder.

Compreender porque desejamos sempre mais que nossas necessidades, liberta a mente da sede de poder. Assim, ainda na infância, as frustrações dos adultos, educadores involuntários das crianças, devem ser contidas diante destas. Uma frustração adulta, quando exortada diante de uma criança, sinaliza para a mesma, que aquele comportamento é natural, que deve ser imitado. E embora intelectualmente a mesma ainda seja incapaz de compreender o que está acontecendo, os efeitos emocionais, tais como ansiedade, inquietação, intolerância e irritabilidade, estes são de compreensão imediata.

Confiança em si mesmo, é quando conseguimos enfrentar nossos próprios medos. É o sentir-se capaz de superar obstáculos que se apresentam como grandes problemas. Isso se consegue quando se têm auto-motivação, que é um sentimento de certeza interior. Certeza de que os problemas podem ser superados, nunca pode existir no medroso, onde lhe falta a confiança em si mesmo. Essa qualidade não é inata, mas produto de aprendizado, com as pessoas que estão à nossa volta.

Uma criança que apenas aprendeu a ouvir lamentações, expressões de mágoas e ressentimentos, jamais terá forças para enfrentar seus dilemas pessoais. Terá sua motivação desviada para expressar os estados de apatia, frustrações, coisa própria daqueles que fazem do seu viver uma central para lamentações, que insistem em cultivar mágoas e ressentimentos.

Sentir-se-á incapaz de realizar qualquer coisa, inseguro por não se achar apto para nada, sequer para pensar com clareza, e acabará por repetir as lamentações que lhe serviram de lastro no passado. Desse modo, como a auto-piedade se torna seu mestre psicológico, não terá forças para reagir diante de problemas, e procurará para sempre, depender daqueles que resolvam tais coisas para si.

Do mesmo modo, quando se exige de uma criança a perfeição, acabamos por criar um individuo isolado do mundo, demasiado critico, medroso de ser repreendido, que mais se preocupará com a opinião alheia, do que com sua própria felicidade. Terá medo até dos próprios pensamentos, embora, na maioria dos casos, jamais descubra a causa de agir dessa forma.

Mostrar desde cedo, com gentileza, sem exigências de perfeição, que os problemas são questões que podem ser resolvidas, desde que encarados de frente, com coragem, determinação e conhecimento, ajudará a criança a preparar o seu emocional para tais situações. De que adianta mostramos para elas apenas o resultado emocional de um problema, através de nossas expressões de raiva, de angústia? Isso apenas servirá para que se tornem ansiosas, sem uma causa aparente, diante de qualquer situação, mesmo de uma surpresa, ou alegria, ou uma simples espera por qualquer coisa.

Do mesmo modo, fazê-las compreender que os erros, longe de ser demonstrações de fraqueza ou imperfeições, servem como guias para os acertos, capacitará todas elas para serem mais tolerantes, mais flexíveis em seus julgamentos e expectativas, diante de qualquer coisa.

E, finalmente, devemos nos lembrar de repreender uma falha com orientação, e um acerto com incentivo. Lembrando que na orientação, a paciência será fundamental para que ela apreenda o que está sendo dito. Do mesmo modo, um acerto não se incentiva com prendas ou elogios fáceis, mais com encorajamento, com apreciação verdadeira, com demonstração clara, inequívoca, de que aquilo tem algum valor.