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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como lidar com a birra e a teimosia do seu filho

Beto Tchernobilsky
Supermercado
Você precisa fazer as compras do mês e seu filho vai junto. Além de não parar de pedir brinquedos, doces e salgadinhos, ele decide provar e até escalar prateleiras.

Na hora: os pedidos desenfreados das crianças nos supermercados são absolutamente perdoáveis, afinal, tudo parece muito tentador até para nós, adultos. Se o “eu quero, eu quero, eu quero” durar mais do que você suportaria ouvir, combine que ele pode escolher um item para comprar. “Se tirar algo do lugar, peça que recoloque no local certo”, diz Betina Serson, psicopedagoga. Mas você não pode deixar passar o fato de a criança ter aberto pacotes porque “estava com vontade”. Você só tem uma opção: pegue o que ela abriu, ponha no carrinho e pague no caixa, mostrando para ela que não se pode consumir nada sem pagar. Ah! Ela perde o direito de levar o produto que mais queria, porque não soube se comportar.

Sempre: combine que a criança será seu ajudante. Assim ela vai cooperar mais e, se cometer algum deslize, você diz aquela boa e velha frase “mas nós já tínhamos combinado...”. Dar um lanche antes evita a “síndrome do estômago vazio”. Se no dia da compra ela estiver de mau humor ou com sono, não leve a criança junto ou, simplesmente, não vá.

Cinema e exposição
O filme, para vocês, acaba na metade — tem alguém com sono ou vontade de fazer xixi. Na exposição, ele acha que as esculturas são de massinha e resolve brincar com elas.

Na hora: quando ele começar a mexer nas peças, diga que não pode. Vá mostrando uma a uma e tente explicar, em uma linguagem simples, o significado. No cinema é mais complicado, porque as atitudes do seu filho realmente vão atrapalhar os outros. Sendo assim, a única opção é sair com a criança da sala. Outra dica: antes, leve-a ao banheiro e pergunte se quer comer pipoca. Duas possíveis saídas você consegue evitar.

Sempre: explique o que é uma exposição e o que vocês vão ver lá. É bacana adiantar o assunto, mostrar algumas obras do artista para a criança estabelecer uma primeira identificação. “O costume dos pais de visitar exposições vai determinar o comportamento do filho. Se este for um hábito da família, ele vai saber como se comportar”, diz Maria Irene Maluf, psicopedagoga. Se não for, vale o alerta: crianças com menos de 4 anos dificilmente vão parar para observar uma exposição. Elas não agüentam programas tão longos.

Amigos da família
Depois de meses tentando agendar um encontro, vocês conseguem marcar na casa de um amigo — mas que não tem filhos. O sofá é transformado em pula-pula.

Na hora: se seu filho apronta dessas em casa, é provável que repita o mesmo comportamento na sala dos outros. Não adianta brigar na frente dos seus amigos, porque se o objetivo da criança era chamar a atenção, a sua reprovação em público vai confirmar que a idéia deu certo. Ignorar também não ajuda. “Os pais devem criar um código com os filhos, para eles perceberem quando está tudo bem e quando não está”, afirma Mauro Godoy, psicólogo.

Se você pede uma vez e ele não pára, leve-o até um canto da casa e diga que se ele não se comportar vocês vão embora. Fale em tom sério, sem elevar a voz. Se nada disso adiantar, junte a bolsa e os filhos, peça desculpas aos amigos e vá embora. E em casa, retome o assunto, para que a solução não seja sempre terminar o programa mais cedo.

Sempre: explique para a criança como vai ser o passeio, quem são as pessoas que vocês vão visitar e quais as regras daquele ambiente — que não precisam ser as mesmas da sua casa. Mas lembre-se também de levar brinquedos ou promover atividades para entretê-la, porque uma reunião de adultos realmente não será atrativa para uma criança.

Beto Tchernobilsky

Lojas e shopping center
O passeio no shopping virou corrida de aventura. Eles pulam, tropeçam, bagunçam e, dentro das lojas, se escondem atrás das araras de roupas.

Na hora: se seu filho sair correndo, não vai ter outro jeito senão correr atrás, porque ele pode se perder ou se machucar. Tente continuar o passeio de mãos dadas ou coloque-o no carrinho. Nas lojas de roupas, é a mesma coisa, você vai precisar encontrá-lo. Avise a segurança da loja que tem uma criança perdida, assim eles podem anunciar o nome dele e dar mais atenção às saídas. Quando ele for encontrado — mesmo você estando desesperado pelo medo de perdê-lo, e com uma vontade louca de dar-lhe uma boa bronca —, respire fundo. Nessas horas, a psicopedagoga Betina aconselha dizer:“brincar de esconde-esconde tem lugar certo. Aqui não é. E eu poderia não ter te encontrado”. Se fizer bagunça, faça-o recolher as roupas do chão e entregar para as vendedoras. Outra saída é levá-lo embora, em vista do mau comportamento, e voltar sem ele.

Sempre: para ele valorizar a arrumação das lojas, mostre em casa como é importante ter tudo em ordem. E também vale deixar claro o quanto o passeio fica mais gostoso quando ele fica ao seu lado.

Transporte Público
Brincar no corredor do ônibus ou fazer das barras do metrô um balanço. Quem puder que se segure.

Na hora: tire a criança do corredor e peça que fique sentada. Mostre o quanto é perigoso ficar brincando dentro de um transporte. Ela pode cair e se machucar. No metrô, a dica é a mesma.

Sempre: conte aonde vão e combine que ela vai escolher onde sentar. Na maioria das vezes, a resposta é: do lado da janela. Dê um OK, mas lembre-a de que não pode ficar nem em pé nem com o braço para fora.

Restaurante
Faz tempo que a família toda não faz um programa à noite. Vocês escolhem o restaurante e, para sua “surpresa”, correr entre mesas e garçons é mais divertido que esperar sentado à mesa.

Na hora: segure-o o quanto antes, para que não ocorra colisão entre garçom e criança. Leve-o para dar uma volta, de mãos dadas, na área externa ou no jardim — se existir. Peça também uma entrada leve e rápida, que não vá fazer com que ele perca a fome por completo, mas que o distraia. Se for muito tarde, dê alguma coisa para ele comer antes de sair de casa. Leve brinquedos, giz de cera — que não mancha roupas como canetinha — e umas folhas em branco para ele desenhar. Escolher um restaurante que tenha área para crianças é válido, porque aí elas têm espaço para entretenimento garantido. “Pergunte-se: se eu tivesse 4 anos, eu gostaria de ficar neste lugar?”, diz Mauro.

Sempre:
preocupe-se em fazer das refeições em família um momento especial, de reunião.Vai ser mais fácil reproduzir isso em um lugar público.

Parquinho
Você arruma um tempo na agenda e leva seu filho à praça mais próxima. No começo, ele se diverte com os próprios brinquedos. Mas, de repente, bate no colega que está ao lado, porque ele queria a bola emprestada.

Na hora: aparte a briga. Depois, diga para ele pedir desculpas e mostre o que causou na outra criança, para ele entender que machucou alguém.

Sempre: lembre-se que se você resolve seus problemas batendo no seu filho, por exemplo, ele vai achar que isso é o normal.Trabalhe em casa a importância de dividir e compartilhar. Chame alguns coleguinhas dele, peça para cada um trazer um brinquedo diferente. Na hora da brincadeira, eles têm de trocar. E tudo bem, não significa que a outra criança não vai devolver, apenas que ela, por alguns instantes, queria brincar de outra coisa.


Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1,,EMI1600-15069,00.html?preview=S. Acesso em: <13.04.2012>.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Espertos, mas desobedientes

Você tem notado que sua pequena e linda filha anda cada vez mais desobediente. Pois é, esse traço tão peculiar do ser humano em geral, e das crianças em particular, se manifesta logo cedo. Então, prepare-se para embates desgastantes, porque a desobediência e como lidar com ela são certamente um dos capítulos mais importantes sobre a educação na infância.

Aos 2 anos de idade a criança já consegue perceber que suas atitudes podem irritar os adultos. Mas, como não tem noções sobre regras nem limite, vai fazendo tudo o que lhe vem à cabeça. Nesse momento, cabe aos pais conversar e chamar a atenção da criança para que ela, aos poucos, possa começar a compreender (que lamber o espelho todos os dias, pintar as paredes da sala, esvaziar todos os xampus dentro da banheira e outras coisinhas mais não é legal nem correto) e respeitar as regras de convivência necessárias para se viver em sociedade.

Além do papel dos pais, o da escola também se torna muito importante e parceiro da família. Chamar a atenção de seu filho tem uma função em casa e outra no ambiente escolar. A atitude sempre o ajudará a compreender seus limites nos diferentes ambientes que freqüenta. Quando o pequeno desrespeita as regras do grupo na escola, como dar um tapa em um coleguinha de classe, a professora pode adotar uma medida socioeducativa para fazer o aluno pensar no que fez. Só colocar de castigo não vale (pelo menos não na escola).

Segundo os educadores, nessas horas o importante é conversar (em casa e na escola). Além do diálogo, dá para inventar histórias ou músicas daquilo que é permitido fazer e explicando o que não pode.

Aliás, alguns educadores acreditam que, melhor que enfatizar o “não pode”, é se utilizar do positivo no discurso do “pode”. Por exemplo: em vez de dizer “não pode tirar o enfeite de cima da mesa”, dizer “o enfeite tem de ficar em cima da mesa”. Dessa forma a criança aprende que há muitas coisas permitidas e não fica preso ao que é proibido.

Bem, vale qualquer estratégia saudável para não se perder no emaranhado de desobediência infantil, algo fácil de acontecer, afinal somos todos seres humanos e erramos bastante. Só não vale se omitir. Você sabia que omissão na educação dos filhos é uma forma de negligência? Procure acompanhar junto à escola de seu filho qual o método adotado em caso de desobediência. Interaja e, se achar que deve, dê sugestões.

Fonte: Boletim Crescer (http://revistacrescer.globo.com/)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Birra é tema de pesquisa norte-americana

Pesquisadores das Universidades de Minnesota e Connecticut analisaram, literalmente, o berreiro das crianças para estabelecer um padrão. Saiba o que fazer para lidar com o problema

  shutterstock
Começa com um simples choro, evolui para um berreiro e geralmente acaba com a criança esperneando no chão e, consequentemente, expondo seus pais a um cena clássica e constrangedora. A birra. De acordo com os pesquisadores das Universidades de Minnesota e Connecticut, nos Estados Unidos, durante um ataque desses os sentimentos de raiva e tristeza se revezam, por isso é importante que os pais não entrem no jogo.

Para chegar à tal conclusão, eles gravaram a choradeira de crianças e, com esses dados, desenvolveram um gráfico para estabelecer um padrão entre os ataques de birra. O resultado deve ajudar os médicos a diferenciar as birras comuns daquelas que podem sinalizar algum distúrbio comportamental.

Mas se o seu filho é mestre em dar escândalo, não se preocupe. "A birra é um impulso puro e simples. É normal e faz parte do desenvolvimento”, diz Silvia Hey, psicanalista infantil professora da Universidade Pequeno Príncipe , de Curitiba (PR). O melhor a fazer diante do berreiro, sugerem os cientistas norte-americanos, é ficar quieto, ou seja, não ceder ao apelo. O que sabemos, claro, nem sempre é tão simples. A seguir, listamos algumas dicas para ajudar você.

10 passos para lidar com a birra da criança. E não perder a classe

1. Por pior que seja o “espetáculo”, NUNCA, JAMAIS, em tempo algum bata no seu filho.

2. Antes de sair, previna-se de possíveis contratempos. Se vai ao supermercado, fale que a criança tem direito a escolher dois doces, por exemplo.

3. Não ceda às manipulações. Mostrar que birras não dão resultado é um jeito de desestimulá-la a repetir a cena.

4. Avise seu filho que só conversará com ele depois que ele se acalmar (e você também...).

5. Se precisar dar uma bronca na criança, espere ela terminar de espernear e explique por que está sendo punida. É importante que ela entenda o que fez de errado e, para isso, precisa estar tranqüila para conseguir ouvir o que você tem a dizer.

6. Não brigue com seu filho na frente de todo mundo; isso o fará se sentir humilhado.

7. Desvie o foco da criança. Mostre um objeto diferente, o cachorrinho passando na rua, o avião lá no céu... Use a criatividade!

8. Algumas vezes, por trás da birra existe uma criança com fome, sono ou carente. Se for esse o caso, responda pacientemente e faça um carinho. Às vezes, é só disso que ela precisa.

9. Simplesmente ignorar a birra também pode dar bons resultados. Respire fundo.

10. Se não tiver como conter o show no meio da loja, simplesmente pegue seu filho no colo e vá embora. Sem escândalos. Ele vai perceber que não adiantou nada e você evita o constrangimento.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A importância do limite!

Saber dizer “não” é, segundo os especialistas, um dos aspectos importantes e saudáveis da educação de crianças e adolescentes.

Uma das maiores dificuldades na educação de uma criança consiste na tarefa de saber dosar amor e permissividade com limite e autoridade. Todos têm consciência da importância de impor limites, mas o fato de saber disso não é suficiente para fazer desta uma tarefa fácil. Os pais frequentemente se deparam com muitas dúvidas: Estou agindo certo? Onde eu errei? Por que ele não me obedece?

É importante analisar como a noção do proibido vai se constituindo ao longo do desenvolvimento infantil para compreender melhor o comportamento da criança. Ela, até o fim do primeiro ano de vida, obedece ao princípio primordial da vida humana: o princípio do prazer. Por isso, procura apenas fazer o que lhe causa satisfação e tenta fugir do que é vivido como algo desprazeroso. Nesse estágio, ela age por impulso instintivo. Esse é o primeiro sistema de funcionamento mental, o mais primitivo e existente desde o nascimento do indivíduo, que é denominado pela psicologia de id.

O id é essencialmente impulsivo – age primeiro e pensa depois. É imperioso, intolerante, egoísta e amoral; é agressivo, sexual, destrutivo, ciumento, enfim, é tudo que existe de selvagem em nossa natureza. Assim, a criança quer fazer tudo o que lhe vem à mente: deseja o que vê, imita o que fazem ao seu redor e tem permanentemente insaciável e ativa a sua curiosidade que, frequentemente, aborrece, preocupa e constrange as pessoas. Ao mesmo tempo, essa impulsividade é uma das necessidades mais prementes em seu desenvolvimento, que, quando reprimida, gera crianças sem brilho, apáticas, desinteressadas e rigidamente bem comportadas. A necessidade de tocar, apalpar, mexer, demonstrar, destruir, desfazer e tentar reconstruir objetos são atividades importantíssimas e fazem parte de sua forma de entrar em contato com o mundo externo.

A partir dos 18 meses, a criança começa a se opor para afirmar-se e existir por si mesma. É o início da fase do não, tão temida pelos pais, e que termina, na melhor das hipóteses, por volta dos três ou quatro anos. Nessa fase, trata-se de uma oposição sistemática, porém necessária à estruturação e organização de sua personalidade. Basta substituir o "não" por "eu" para se ter a chave do problema. Para uma criança, dizer "não" significa apenas: "Eu acho que não! E você?" Ela quer simplesmente uma resposta dos pais que, favorável ou não, terá, pelo menos, o mérito de indicar os limites. A partir dos três ou quatro anos, a criança passa, pouco a pouco, do "não" sistemático – modo de comunicação arcaico, mas necessário ao seu desenvolvimento – para o "não" refletido, que afirma seus gostos e escolhas.

Culpa e castigo
Desde cedo, a criança percebe que seu comportamento impulsivo, em vez de satisfação, frequentemente acarreta uma censura por parte do mundo externo. Ela passa, assim, a dominar suas atividades instintivas. Como, acima de tudo, a criança deseja o apoio e a aprovação dos adultos e necessita imensamente deles, especialmente do pai e da mãe, começa a compreender que precisa controlar melhor seus desejos e impulsos. Ao conformar-se gradualmente com as imposições do meio ambiente (educação), controlando ou repelindo os desejos que não podem ou não devem ser satisfeitos, vai se estruturando o sistema moderador ou filtrador, o ego.

O ego faz com que a criança troque o princípio do prazer, que orientava suas atividades instintivas, pelo princípio da realidade, mediante o qual consegue adiar ou anular os impulsos que não são adequados ao meio em que vivem. O ego coloca-se como intermediário entre o id e o mundo externo, entre as exigências impulsivas e as restrições do meio.

A parte moral ou ética da personalidade se manifesta quando julgamos nossos atos na categoria de bom ou mau. Essas considerações dependem de um sistema de autocensura, denominado superego. O superego desenvolve-se a partir do ego, mediante a internalização ou incorporação dos modelos externos, das advertências e censuras.

O superego passa a atuar sobre a criança da mesma maneira que os pais: punindo-a quando se comporta mal e dando-lhe a sensação de bem-estar quando age corretamente. A punição assume um aspecto de sentimento de culpa ou de inferioridade, de angústia ou inquietação. A recompensa proporciona, por sua vez, orgulho, realização ou sensação de cumprimento do dever, ou seja, uma virtude.

Até dois ou três anos, a noção do proibido não lhe faz ainda muito sentido. Será preciso repetir-lhe muitas vezes o que ela pode ou não pode fazer, explicando-lhe em poucas palavras a razão dessa proibição. Somente depois dos três ou quatro anos a criança passa a compreender, cada vez melhor, as ordens dadas, começando a entender as noções de bem e de mal. E, a princípio, ela procurará obedecer aos pais somente para satisfazê-los.

As crianças, ao contrário do que se pensa, são muito preocupadas com regras. Parece que agir dentro de limites, cuidadosamente estabelecidos, oferece-lhes uma estrutura segura para lidar com uma situação nova e desconhecida.

É fundamental que os adultos tenham clareza de suas convicções e sejam fiéis a elas, pois, para os pequenos, eles são modelos vivos a serem seguidos. É por meio do convívio com essas fontes de referências que eles vão estruturando a sua própria personalidade.

A criança que não aprende a ter limite cresce com uma deformação na percepção do outro. As consequências são muitas e, frequentemente, bem graves como, por exemplo, desinteresse pelos estudos, falta de concentração, dificuldade de suportar frustrações, falta de persistência, desrespeito pelo outro – por colegas, irmãos, familiares e pelas autoridades. Com frequência, essas crianças são confundidas com as que têm a síndrome da hiperatividade verdadeira, porque, de fato, iniciam um processo que pode assemelhar-se a esse distúrbio neurológico. Na verdade, muito provavelmente trata-se da hiperatividade situacional, pois, de tanto poder fazer tudo, de tanto ampliar seu espaço sem aprender a reconhecer o outro como ser humano, essa criança tende a desenvolver características de irritabilidade, instabilidade emocional, redução da capacidade de concentração e atenção, derivadas, como vimos, da falta de limite e da incapacidade crescente de tolerar frustrações e contrariedades.

O pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott dizia: “É saudável que um bebê conheça toda a extensão da sua raiva. Na vida, existe o princípio do desejo e o princípio da realidade. Uma criança a quem se cede em tudo imediatamente, ‘a quem nunca se recusou nada’, como dizem os pais, suporta mal a frustração. Muitos desses pais que cedem sempre vêem o filho no presente, ao passo que aqueles que sabem dar sem mimar vêem o filho no tempo e no futuro. Eles lhe oferecem perspectivas, lhe mostram o valor do desejo e da espera, para melhor saborear o que é obtido.”

Maria Guimarães Drumond Grupi