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quarta-feira, 9 de maio de 2012

De novo. E de novo, e de novo!



Ninguém na família agüenta mais A Bela Adormecida, Procurando Nemo e Monstros S.A.? De tanto que seu filho assistiu a esses filmes, até você já cantarola debaixo do chuveiro Salagatula, decorou os diálogos entre Dory e Marlin. Assistir ao mesmo filme quatro, cinco, seis ou até dez vezes pode parecer um tanto quanto cansativo aos adultos, mas para as crianças a partir dos 2 anos é essencial para o desenvolvimento emocional e intelectual. A repetição é um dos mais típicos comportamentos infantis, um mecanismo de aprendizado e de garantia de ligação afetiva com o mundo.

Repetir brincadeiras, ouvir a mesma história, a mesma música inúmeras vezes faz com que as crianças aprendam a identificar situações, momentos e também relações de causa e efeito. Essas experiências, chamadas reiterativas, é que os impulsionam a se aventurar em novos conhecimentos, pois, inconscientemente, educa-os a fazer previsões e criar expectativas. Além disso, a criança confirma informações, capta melhor o que já viu e reforça sua identificação com algum elemento do filme.

É esta identificação, principalmente, que determina quais brincadeiras ou histórias vão ser as preferidas. Só essas serão repetidas muitas vezes, e não todas as atividades do cotidiano. Os pais devem compreender e acolher essa necessidade infantil. Paciência, então, com as infindáveis repetições dos episódios de Hi-5, Save-Ums, Backyardgans ou Vila Sésamo.

A preferência infantil, porém, não significa o fim para novas experiências. Criança é bicho muito curioso e adora novidade, desde que seja bacana (como todo mundo, aliás). Os adultos podem oferecer novas experiências, situações diferentes e garantir ao filho a companhia e o apoio para se arriscarem. Mesmo que isso, às vezes, signifique contar outras dez vezes a nova história.

Fonte: Boletim Online CRESCER.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

QUERO TE VER!

Com saudades e dominando as teclas do telefone com a ajuda de um adulto, seu filho te liga enquanto você está no trabalho e diz “mamãe, volta pra casa” ou “você vai demorar?” Depois de ouvir essas frases, seu coração murcha. E você pensava que a fase mais difícil seria a volta da licença-maternidade!

Isso ocorre, pois a criança realmente está com saudades e quer vê-la logo. Sentimento muito comum entre 2 e 3 anos. Sentem falta do adulto que lhe dá segurança. Mas cuidado para não chorar ao telefone. Pode passar insegurança. Imagine você ouvir o seguinte discurso: “Mamãe vai trabalhar porque precisa, é legal, divertido, mas volto no final do dia”. E ao telefone você chorar depois de ouvir o lamento. É para se indagar: se é tão bom, porque ela chora? Nessa hora, respire fundo e tente parecer que está tranqüila para passar segurança à criança. Diga que no momento não pode ir, porque está trabalhando, mas que volta no fim do dia. Procure estabelecer um diálogo com ela, perguntando o que já fez, se comeu, brincou. Não pergunte se gosta de você ou se está sentindo a sua falta, porque pode desencadear uma fragilidade que ela está tentando superar. Se tiver vontade de chorar, deixe para fazer depois de desligar o telefone. Aos poucos, a criança se acostuma com a rotina.

O importante é que você conduza tudo com muita calma, mesmo com o coração amassado. Quando puder, saia mais cedo do trabalho ou vá almoçar em casa. E aproveite muito o tempo em que estiver junto dela.

Fonte: Boletim Online CRESCER.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Curiosidade a toda prova

Dotadas de uma capacidade de observação bastante aguçada, as crianças se sentem constantemente desafiadas a perguntar sobre curiosidades que surgem a partir dos estímulos que recebem no cotidiano. A partir dos 2 anos de idade, este interesse está voltado ao conhecimento da forma como os objetos vão parar em suas casas. Se voltam ainda para tentar decifrar o mundo ao seu redor e o grande mistério da vida: de onde eu vim? Por isso, nessa fase, que dura cerca de três anos, é comum ouvir perguntas como: foi a mamãe que deu essas sandálias para mim? E esse brinquedo? E a minha roupa? Para os especialistas, perguntando sobre os objetos que fazem parte de seu universo as crianças vão se situando no mundo e descobrindo sua origem. Além da origem, ao questionar quem deu as suas coisas e saber que foi uma tia, por exemplo, seu filho percebe como se formam as relações sociais, familiares e de amizade. Nota ainda que os pais não são os únicos a gostar dela. Aos adultos, só resta uma velha fórmula: boa vontade para responder às inúmeras perguntas. As respostas acalmam as crianças. Mostram que tudo, ou quase tudo, vem de algum lugar, inclusive ela. Essa curiosidade por quem deu pode coincidir com a dos intermináveis porquês, outro jeito de a criança entender o mundo e descobrir a própria origem (um mistério ainda não desvendado pelos inúmeros cientistas).


Fonte: Boletim CRESCER Online. Acesso em:<13.03.12>.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

As fantasias infantis

A partir do segundo ano de vida a criança passa a viver num mundo de faz-de-conta, paralelo ao mundo real, e que é repleto de seres imaginários. Como o mundo real ainda lhe é difícil de ser assimilado e aceito, ela cria o seu próprio universo, onde tudo é possível e tem solução. É a fase do pensamento mágico e das projeções.

Nesse seu universo habitam super-heróis, mitos, fadas e monstros, capazes de brincar com ela, bem como fazê-la rir, sentir medo e chorar e, acima de tudo, ajudá-la a se desenvolver.

Como toda fase, um dia passa; para uns mais cedo, para outros mais tarde. Porém, é esperado que, por volta dos seis, sete anos de idade isso tenha terminado, uma vez que já terão se desenvolvido várias funções como a memória, a lógica e a inteligência.

Surge, então, na criança, uma ansiedade tão intensa e aflitiva, que não tem necessariamente relação com qualquer experiência assustadora anterior e cuja origem vai ao encontro do momento de vida que atingiu, quando se inicia a retirada das fraldas e o treino ao penico, o que significa que deve assumir o controle do próprio corpo.

Isto é muito angustiante, pois o fracasso significa decepcionar as figuras parentais que lhe são tão significativas e por quem ainda é tão dependente física e emocionalmente.

A criança expressa seus conflitos através do medo do escuro, de estranhos, de situações novas, do trovão, relâmpago, vento e outros temores que não se constituem fobias. Sente-se fragilizada diante de emoções desconhecidas e que não consegue dominar e compreender.

Daí a necessidade de criar um universo só seu. Na sua lógica, se os super-heróis conseguem subjugar o mal, ela também consegue; ou seja, se eles resolvem seus conflitos, ela também pode fazê-lo. Esses pensamentos mágicos lhe dão um sentido de poder muito forte e contribui para diminuir a sensação de fraqueza e de impotência diante dos adultos.

Assim, ela atribui vida aos objetos e brinquedos, depositando neles seus próprios sentimentos (projeções). É o ursinho de pelúcia que está com raiva porque a mãe brigou com ele ou o soldadinho está triste porque o pai dele foi trabalhar e não o levou junto... enfim, a criança brinca com os bonecos e bichos de pelúcia, como se fossem pessoas de verdade. Desta maneira, ela se liberta, sem culpa, de seus sentimentos negativos, ao expressá-los através dos brinquedos e objetos.

Neste momento, faz-se necessário o redobrar de cuidados, principalmente com janelas ou objetos que ofereçam perigo, pois a criança pode se sentir tentada a imitar o modo de atuar de seus personagens.

Por volta dos três anos, a criança inventa um companheiro imaginário para conversar e brincar. Geralmente este personagem é bom, prestativo e é dirigido e comandado por ela, o que lhe dá uma sensação de controle e poder.

Apesar dos monstros serem figuras aterradoras, os pais não precisam se alarmar, pois justamente por serem criaturas do mal sempre acabam derrotados nas histórias e nos desenhos.

Dentre os mitos, os mais simpáticos e bonzinhos são o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa, pois lhe dão presentes, o que fortalece e enriquece seu senso de auto-estima, por se sentir uma pessoa importante.

Assim, acreditar em Papai Noel é um dos mais significativos encantos infantis e nenhum adulto deve quebrá-lo. Ele é o símbolo do pai bom, compreensivo, amoroso e um notável substituto do pai biológico por ocasião do Natal, principalmente para a criança que não o tem presente na vida cotidiana.

Todas estas fantasias têm a função de equilibrar emocionalmente a criança, permitindo a elaboração e dissipação da angústia e o aplacamento da ansiedade. Funcionam, inclusive, como um processo de autodefesa e de auto-afirmação.

Através do faz-de-conta, a criança aprende também a entender o ponto de vista de outra pessoa, desenvolve habilidades na solução de problemas sociais e a torna mais criativa, acelerando seu desenvolvimento intelectual.

Esta é, portanto, uma etapa fundamental do desenvolvimento infantil, pois é através dela que a criança tenta elaborar seus conflitos e organizar simbolicamente o mundo real. Com o tempo vai declinando de intensidade até desaparecer por completo, como se nunca tivesse existido. Geralmente coincide com um maior domínio da linguagem e com a abertura de novos caminhos para a descarga emocional da criança.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Espertos, mas desobedientes

Você tem notado que sua pequena e linda filha anda cada vez mais desobediente. Pois é, esse traço tão peculiar do ser humano em geral, e das crianças em particular, se manifesta logo cedo. Então, prepare-se para embates desgastantes, porque a desobediência e como lidar com ela são certamente um dos capítulos mais importantes sobre a educação na infância.

Aos 2 anos de idade a criança já consegue perceber que suas atitudes podem irritar os adultos. Mas, como não tem noções sobre regras nem limite, vai fazendo tudo o que lhe vem à cabeça. Nesse momento, cabe aos pais conversar e chamar a atenção da criança para que ela, aos poucos, possa começar a compreender (que lamber o espelho todos os dias, pintar as paredes da sala, esvaziar todos os xampus dentro da banheira e outras coisinhas mais não é legal nem correto) e respeitar as regras de convivência necessárias para se viver em sociedade.

Além do papel dos pais, o da escola também se torna muito importante e parceiro da família. Chamar a atenção de seu filho tem uma função em casa e outra no ambiente escolar. A atitude sempre o ajudará a compreender seus limites nos diferentes ambientes que freqüenta. Quando o pequeno desrespeita as regras do grupo na escola, como dar um tapa em um coleguinha de classe, a professora pode adotar uma medida socioeducativa para fazer o aluno pensar no que fez. Só colocar de castigo não vale (pelo menos não na escola).

Segundo os educadores, nessas horas o importante é conversar (em casa e na escola). Além do diálogo, dá para inventar histórias ou músicas daquilo que é permitido fazer e explicando o que não pode.

Aliás, alguns educadores acreditam que, melhor que enfatizar o “não pode”, é se utilizar do positivo no discurso do “pode”. Por exemplo: em vez de dizer “não pode tirar o enfeite de cima da mesa”, dizer “o enfeite tem de ficar em cima da mesa”. Dessa forma a criança aprende que há muitas coisas permitidas e não fica preso ao que é proibido.

Bem, vale qualquer estratégia saudável para não se perder no emaranhado de desobediência infantil, algo fácil de acontecer, afinal somos todos seres humanos e erramos bastante. Só não vale se omitir. Você sabia que omissão na educação dos filhos é uma forma de negligência? Procure acompanhar junto à escola de seu filho qual o método adotado em caso de desobediência. Interaja e, se achar que deve, dê sugestões.

Fonte: Boletim Crescer (http://revistacrescer.globo.com/)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Por que as crianças pequenas devem cochilar a tarde?

Seu filho gosta de cochilar no meio da tarde ou da manhã?

Menina dormindo

Além de esperta, a criançada anda cada vez mais alerta. Uma conceituada revista científica sobre sono, a americana Sleep, publicou um artigo que descreve uma pesquisa feita pelo Hospital Bradley em parceria com a Escola Médica Brown, ambos nos Estados Unidos. Os investigadores observaram 169 meninos e meninas de 1 a 5 anos, a faixa de idade que poderia ser adepta do cochilo diurno, e notaram que a esmagadora maioria dos pequenos acima de 18 meses - 82% deles - já tinham abandonado esse hábito.

No Brasil, por enquanto, não há dados de pesquisa sobre o assunto, mas nossos especialistas acreditam que o fenômeno é mundial. Alguns lamentam, como é o caso da neurologista infantil Rosana Cardoso Alves, de São Paulo. "A soneca, que deve durar uma ou duas horas, é necessária até os 4 anos mesmo que a criança costume dormir a noite inteira", diz, taxativa. "Do contrário, fatalmente surgem alterações do humor."

Outros médicos, como Gustavo Antonio Moreira, não vêem em princípio nenhum problema assim tão grave. "Não há uma regra a seguir", defende. "O que vale é respeitar as necessidades de repouso e o ritmo de cada um. Os pais devem insistir para a criança cochilar só quando percebem que ela vive irritadiça, cansada ou quando dorme muito no final de semana, depois de sair da rotina, o que é outro sinal de que ainda precisa do cochilo diurno."

O pediatra Fabio Ancona lembra que, apesar de haver um pico na produção do hormônio do crescimento enquanto dormimos, "Até hoje ninguém afirma que o sono diurno tenha algum impacto sobre o desenvolvimento físico". Ou seja, é o estado de ânimo do pequeno que conta para decidir a necessidade da soneca.

Hora da soneca

Se o seu filho passa muito bem o dia inteiro acordado, relaxe. Não se desgaste como se precisasse seguir uma cartilha. Já se ele é do tipo que briga com o sono - ainda mais à luz do dia - e dá todos os sinais de sair fatigado dessa guerra, crie rituais. Apele para um banho, cantigas, histórias ou mesmo uma boa conversa acompanhada de um cafuné. "É bom que a criança tire a soneca sempre no mesmo lugar e no mesmo horário", ensina a enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, de São Paulo. "Mas procure manter o ambiente mais claro para que ela perceba a diferença entre dia e noite e para evitar que esse descanso ultrapasse duas horas de duração." Márcia também sugere que esse repouso aconteça antes das 15 horas, para não atrapalhar o mais fundamental dos sonos - o noturno.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Xixi na cama. E agora?

Crianças que não conseguem controlar urina podem ter problemas graves

Um problema costuma afligir os pais: qual o momento certo de dar adeus às fraldas? Em alguns casos as crianças ainda não conseguem controlar a urina e, para mais desespero, acabam por fazer xixi na cama. O que a primeira vista pode parecer apenas "preguiça", a longo prazo pode provocar problemas mais graves, como lesões renais, afirmam os especialistas.

Xixi na cama. E agora?A nefropediatra, Rejane Meneses Bernardes, frisa que a criança não tem culpa por não conseguir controlar a urina e nem sempre é normal que isso aconteça. Esse distúrbio é chamado de enurese e, segundo a médica, deve ser investigado por um profissional, pois pode provocar problemas mais graves. "A enurese pode revelar disfunções de bexiga com fatores de risco para lesão renal", alerta.

Um levantamento realizado pela Clínica Nefrokids em escolas públicas e privadas de Curitiba (PR) revela a alta frequência de sintomas que necessitam de uma investigação mais detalhada, como infecção urinária, enurese noturna, escapes de urina na roupa durante o dia e histórico de doença de rim ou de bexiga na família. Dentre 2.159 crianças, 14% têm infecção urinária, enurese noturna ou escapes diurnos de urina. De 575 crianças atendidas pela clínica, portadoras de disfunção na bexiga, 30% têm refluxo para os rins e, destas, 31% já possuem lesão renal.

"É importante que os pais saibam que a enurese é um assunto médico e não psicológico. Com o tratamento é possível prevenir doenças ou lesões futuras, além de melhorar a qualidade de vida e a auto estima da criança", garante Rejane. A especialista explica que, até os 4 anos de idade, as crianças já têm continência total de urina, mas a partir dos 2 anospossuem o aparelho urinário desenvolvido suficientemente para a retirada da fralda.

"A partir dos 5 anos, se a criança ainda não possui controle de urina durante o dia ou a noite, é sinal de que há um problema", ressalta Rejane. Para ela, é preciso ainda acabar com o tabu em relação ao xixi na cama ou xixi na calça: "Diante desses sintomas, os pais não devem reprimir ou sentir vergonha, mas sim procurar um médico", aconselha.

- Enurese noturna - Criança que faz xixi na cama é a coisa mais normal do mundo. Entretanto, o exagero pode ser sinal de enurese, uma doença simples, mas que pode mexer até com a auto-estima dos pequenos.
- Noites molhadas - Nada mais normal do que criança que faz xixi na cama. Mas a chamada enurese noturna pode se transformar num grande problema para os pequenos. Nessas horas, os pais precisam, além de alguns panos, paciência e carinho para resolver o caso.

 Fonte:  http://www.bolsademulher.com/familia/xixi-na-cama-e-agora-108978.html. Acesso em: <08.11.2011>.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A importância do limite!

Saber dizer “não” é, segundo os especialistas, um dos aspectos importantes e saudáveis da educação de crianças e adolescentes.

Uma das maiores dificuldades na educação de uma criança consiste na tarefa de saber dosar amor e permissividade com limite e autoridade. Todos têm consciência da importância de impor limites, mas o fato de saber disso não é suficiente para fazer desta uma tarefa fácil. Os pais frequentemente se deparam com muitas dúvidas: Estou agindo certo? Onde eu errei? Por que ele não me obedece?

É importante analisar como a noção do proibido vai se constituindo ao longo do desenvolvimento infantil para compreender melhor o comportamento da criança. Ela, até o fim do primeiro ano de vida, obedece ao princípio primordial da vida humana: o princípio do prazer. Por isso, procura apenas fazer o que lhe causa satisfação e tenta fugir do que é vivido como algo desprazeroso. Nesse estágio, ela age por impulso instintivo. Esse é o primeiro sistema de funcionamento mental, o mais primitivo e existente desde o nascimento do indivíduo, que é denominado pela psicologia de id.

O id é essencialmente impulsivo – age primeiro e pensa depois. É imperioso, intolerante, egoísta e amoral; é agressivo, sexual, destrutivo, ciumento, enfim, é tudo que existe de selvagem em nossa natureza. Assim, a criança quer fazer tudo o que lhe vem à mente: deseja o que vê, imita o que fazem ao seu redor e tem permanentemente insaciável e ativa a sua curiosidade que, frequentemente, aborrece, preocupa e constrange as pessoas. Ao mesmo tempo, essa impulsividade é uma das necessidades mais prementes em seu desenvolvimento, que, quando reprimida, gera crianças sem brilho, apáticas, desinteressadas e rigidamente bem comportadas. A necessidade de tocar, apalpar, mexer, demonstrar, destruir, desfazer e tentar reconstruir objetos são atividades importantíssimas e fazem parte de sua forma de entrar em contato com o mundo externo.

A partir dos 18 meses, a criança começa a se opor para afirmar-se e existir por si mesma. É o início da fase do não, tão temida pelos pais, e que termina, na melhor das hipóteses, por volta dos três ou quatro anos. Nessa fase, trata-se de uma oposição sistemática, porém necessária à estruturação e organização de sua personalidade. Basta substituir o "não" por "eu" para se ter a chave do problema. Para uma criança, dizer "não" significa apenas: "Eu acho que não! E você?" Ela quer simplesmente uma resposta dos pais que, favorável ou não, terá, pelo menos, o mérito de indicar os limites. A partir dos três ou quatro anos, a criança passa, pouco a pouco, do "não" sistemático – modo de comunicação arcaico, mas necessário ao seu desenvolvimento – para o "não" refletido, que afirma seus gostos e escolhas.

Culpa e castigo
Desde cedo, a criança percebe que seu comportamento impulsivo, em vez de satisfação, frequentemente acarreta uma censura por parte do mundo externo. Ela passa, assim, a dominar suas atividades instintivas. Como, acima de tudo, a criança deseja o apoio e a aprovação dos adultos e necessita imensamente deles, especialmente do pai e da mãe, começa a compreender que precisa controlar melhor seus desejos e impulsos. Ao conformar-se gradualmente com as imposições do meio ambiente (educação), controlando ou repelindo os desejos que não podem ou não devem ser satisfeitos, vai se estruturando o sistema moderador ou filtrador, o ego.

O ego faz com que a criança troque o princípio do prazer, que orientava suas atividades instintivas, pelo princípio da realidade, mediante o qual consegue adiar ou anular os impulsos que não são adequados ao meio em que vivem. O ego coloca-se como intermediário entre o id e o mundo externo, entre as exigências impulsivas e as restrições do meio.

A parte moral ou ética da personalidade se manifesta quando julgamos nossos atos na categoria de bom ou mau. Essas considerações dependem de um sistema de autocensura, denominado superego. O superego desenvolve-se a partir do ego, mediante a internalização ou incorporação dos modelos externos, das advertências e censuras.

O superego passa a atuar sobre a criança da mesma maneira que os pais: punindo-a quando se comporta mal e dando-lhe a sensação de bem-estar quando age corretamente. A punição assume um aspecto de sentimento de culpa ou de inferioridade, de angústia ou inquietação. A recompensa proporciona, por sua vez, orgulho, realização ou sensação de cumprimento do dever, ou seja, uma virtude.

Até dois ou três anos, a noção do proibido não lhe faz ainda muito sentido. Será preciso repetir-lhe muitas vezes o que ela pode ou não pode fazer, explicando-lhe em poucas palavras a razão dessa proibição. Somente depois dos três ou quatro anos a criança passa a compreender, cada vez melhor, as ordens dadas, começando a entender as noções de bem e de mal. E, a princípio, ela procurará obedecer aos pais somente para satisfazê-los.

As crianças, ao contrário do que se pensa, são muito preocupadas com regras. Parece que agir dentro de limites, cuidadosamente estabelecidos, oferece-lhes uma estrutura segura para lidar com uma situação nova e desconhecida.

É fundamental que os adultos tenham clareza de suas convicções e sejam fiéis a elas, pois, para os pequenos, eles são modelos vivos a serem seguidos. É por meio do convívio com essas fontes de referências que eles vão estruturando a sua própria personalidade.

A criança que não aprende a ter limite cresce com uma deformação na percepção do outro. As consequências são muitas e, frequentemente, bem graves como, por exemplo, desinteresse pelos estudos, falta de concentração, dificuldade de suportar frustrações, falta de persistência, desrespeito pelo outro – por colegas, irmãos, familiares e pelas autoridades. Com frequência, essas crianças são confundidas com as que têm a síndrome da hiperatividade verdadeira, porque, de fato, iniciam um processo que pode assemelhar-se a esse distúrbio neurológico. Na verdade, muito provavelmente trata-se da hiperatividade situacional, pois, de tanto poder fazer tudo, de tanto ampliar seu espaço sem aprender a reconhecer o outro como ser humano, essa criança tende a desenvolver características de irritabilidade, instabilidade emocional, redução da capacidade de concentração e atenção, derivadas, como vimos, da falta de limite e da incapacidade crescente de tolerar frustrações e contrariedades.

O pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott dizia: “É saudável que um bebê conheça toda a extensão da sua raiva. Na vida, existe o princípio do desejo e o princípio da realidade. Uma criança a quem se cede em tudo imediatamente, ‘a quem nunca se recusou nada’, como dizem os pais, suporta mal a frustração. Muitos desses pais que cedem sempre vêem o filho no presente, ao passo que aqueles que sabem dar sem mimar vêem o filho no tempo e no futuro. Eles lhe oferecem perspectivas, lhe mostram o valor do desejo e da espera, para melhor saborear o que é obtido.”

Maria Guimarães Drumond Grupi

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A soneca de uma criança pequena pode parecer um momento calmo, mas, na verdade, é um comportamento biologicamente bastante complexo


Bebês precisam dormir por causa da intensa atividade de seus cérebros.
O que faz o bebê tirar uma soneca? A maioria dos pais considera a soneca do bebê um momento de descanso para os filhos e para eles próprios. A soneca, porém, não tem recebido a atenção merecida, nem mesmo dos especialistas em sono. Além disso, os problemas com a soneca geralmente são tratados por pediatras uma vez que os pais têm dificuldade em impor limites para ela.

Agora, os pesquisadores estão descobrindo que essa questão não é tão simples. A soneca da criança é, na verdade, um comportamento complexo. Uma combinação biológica singular, que inclui desenvolvimento neurológico e hormonal, expectativas culturais e a dinâmica familiar.

Geralmente, os pais apenas querem saber quanto tempo a criança precisa para a soneca. Essa preocupação tem pouco mais de cem anos. Na primeira década do século 20, especialistas europeus publicaram estudos originais em que mediam os padrões de sono de crianças. Eles se preocuparam de imediato com o fato de as crianças não estarem dormindo o suficiente.
Nos dias atuais, os pesquisadores acreditam que crianças pequenas tiram sonecas porque a chamada pressão do sono se desenvolve rapidamente em seus cérebros – ou seja, a carência de sono se acumula tão rapidamente nas horas em que estão acordadas que se transforma em uma necessidade biológica.

Não se trata apenas do tempo de sono que a criança precisa em 24 horas. Pode ser que seja por causa da atividade sináptica intensa de seus cérebros demasiadamente ativos e conectados que as crianças pequenas não consigam ficar acordadas por longos períodos.

No início dos anos 1980, o doutor Alexander A. Borbely, professor de farmacologia da Universidade de Zurique, na Suíça, apresentou um “modelo de regulação do sono em duas etapas”.

O processo circadiano foi localizado em uma área específica do cérebro e funciona, de certa forma, como um relógio, vinculando o sono a horários e a ciclos de luz/obscuridade, independente de como ou por quanto tempo dormimos. Ele interage com o processo homeostático, que funciona determinando a necessidade de sono, que aumenta com tempo de permanência desperto, e desenvolvendo a pressão do sono, que pode ser medida via registros de eletroencefalograma.

A soneca da criança ocorre “porque a homeostase do sono dela age rapidamente – desenvolve a pressão do sono de forma mais rápida, por isso elas não são muito resistentes a ficar acordadas por longos períodos”, afirma o doutor Oskar Jenni, pediatra e diretor do projeto de desenvolvimento da criança do Hospital Universitário Infantil de Zurique.



Cochilos variam conforme a idade
Geralmente, os bebês dormem entre uma refeição e outra por períodos curtos, de dia e de noite. Conforme vão crescendo, eles passam a dormir à noite (umas vezes mais, outras menos) e serem mais ativos nas primeiras horas da manhã. Ainda de manhã, eles tiram uma soneca, acordam de novo para brincar, depois comer e mais soneca à tarde.

Às vezes, depois de completarem um ano, as duas sonecas se fundem em uma, geralmente no final da manhã ou começo da tarde.

“A justificativa para a soneca da tarde, por volta das 15 horas, é aumentar a necessidade de sono, para pegar no sono à noite”, afirma a doutora Judith Owens, pediatra e diretora do Centro Médico Nacional Infantil, em Washington.

À medida que chegam à idade escolar, a maioria das crianças começa a resistir à soneca remanescente ou apenas a deixam para trás. Porém, há muitas variações individuais e para muitos pais é um desafio lidar com a criança que parece determinada a ficar sem um cochilo.

Às vezes, os problemas surgem porque o fato de a criança abdicar da soneca é incompatível com a programação diária dos pais ou com a rotina da creche.

Outras vezes, os pais consideram o mau humor, o choro e a negatividade geral que aparecem com o cansaço, um sinal de que a criança não está pronta para ficar sem cochilar.

“Aos 5 anos, aproximadamente 80 por cento das crianças deixaram de tirar uma soneca – o que significa que uma de cada cinco crianças ainda tem esse hábito”, afirmou Owens.


Jenni é um dos autores de um amplo estudo publicado em 2003, na revista Pediatrics, que mediu a duração do sono na infância. Ele e seus colegas documentaram a diminuição da soneca diurna e a consolidação do sono noturno à medida que um grupo de crianças suíças crescia. Além disso, eles descobriram que, até os 10 anos de idade, havia uma tendência à uniformidade na necessidade e nos padrões de sono de cada criança. Em outras palavras, as crianças que, quando bem pequenas, dormiam menos do que seus colegas, se tornavam crianças mais velhas com menos necessidade de dormir.

Um estudo realizado com crianças americanas, com idades entre 3 e 8 anos, mostrou disparidades também entre crianças negras e brancas. Embora a duração total do sono dos dois grupos tenha sido semelhante, as crianças negras tiravam mais sonecas e tendiam a parar com o hábito mais tarde.

Apesar das descobertas intrigantes, o estudo dos padrões do sono ainda está na fase preliminar – ou na primeira infância. Os especialistas apenas começaram a compreender as bases biológicas do sono.

A doutora Monique LeBourgeois, especialista em sono da Universidade do Colorado, em Boulder, e seus colegas conduziram recentemente um primeiro estudo sobre como a soneca afeta a resposta do cortisol ao despertar, a liberação de hormônios que ocorre pouco após o despertar matinal. Eles demonstraram que as crianças produzem esta resposta logo após sonecas curtas matinais e vesperais, mas não após as noturnas, o que pode representar uma adaptação que ajuda na reação ao estresse sentido durante o dia.

Por meio de um experimento de restrição do sono em crianças pequenas e da subsequente análise do comportamento delas resolvendo quebra-cabeças, o grupo também quantificou de que forma a soneca – ou a falta dela – afetaram a resposta das crianças em determinadas situações.

“Crianças sonolentas não conseguem lidar com os desafios do dia a dia em seu mundo”, afirma LeBougeois. Quando a criança deixa de tirar apenas um cochilo, “fica menos positiva, mais negativa e ocorre uma diminuição do envolvimento cognitivo”.

Porém, para os pais, e também para os cientistas, existem várias perguntas não respondidas: que fase é considerada precoce parar de tirar uma soneca? Quando já passou da hora de tirar o hábito? De que forma os padrões familiares e as normas culturais afetam os processos circadianos e homeostáticos? “Eu acredito que exista uma necessidade urgente dos adultos em geral de estar em sintonia com a fisiologia de cada criança”, afirmou LeBourgeois.

Este comportamento diário da criança, que geralmente causa discussões em família, é produto de expectativas familiares e culturais, bem como de uma complexa biologia, que se modifica conforme a criança se desenvolve.

“Parar de tirar uma soneca representa um processo de maturidade neurológica da criança”, “quando ela consegue ficar sem dormir significa que seu cérebro está se desenvolvendo”, afirma Jenni.